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PRINCÍPIOS BÁSICOS DA RECUPERAÇÃO DA CODEPENDÊNCIA

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA RECUPERAÇÃO DA CODEPENDÊNCIA – PRINCÍPIO I

Inicialmente devemos ter em mente que o alcoolismo e outras dependências químicas são doenças familiares. E que o primeiro passo para o tratamento do CODEPENDENTE é a “conscientização” e o segundo a “aceitação”.

Podemos dizer que a recuperação do processo de CODEPENDÊNCIA é simples. Não é fácil, algumas vezes muito difícil, mas é simples. Basta lembrar que “cada pessoa é responsável por si mesma”.  E aprender um novo comportamento, onde nos devotaremos a nós mesmos. Parece uma frase extremamente egoísta, mas ficar num processo de CODEPENDÊNCIA é muito mais. E vou provar.

PRINCÍPIO 1: DESLIGAMENTO

Sobre tal princípio, inicio com uma frase do livro da Melody Beattie, dita por um membro do Al-Anon: “Desligamento não significa desligar-nos da pessoa que amamos, mas da agonia do envolvimento”. Este é o primeiro passo e o objetivo geral da recuperação de qualquer codependente.

Consideramos aqui que o conceito de LIGAÇÃO significa envolver-se demais e de maneira desesperadora. Concentrando toda nossa energia em outras pessoas e em seus problemas, esquecendo de viver nossa própria vida.

Já imaginou a reação de uma mãe codependente quando for sugerido para ela se desligar do filho dependente e dos problemas dele. Com certeza escutaríamos algo como: “eu não poderia nunca fazer isso, eu o amo demais…”.

As pessoas pensam que devem ficar responsáveis por tudo do dependente, tomar o controle, pois ele (o dependente) não consegue. Quem disse que você tem que fazer isso? Quem disse que ele não tem condições?

Lembre-se de que você não está falando de uma criança ou de um deficiente físico grave (que não tem condições nem mesmo de levantar-se sozinho, e.g.) ou de uma pessoa com deficiência mental grave.

O desligamento não é um abandono frio e hostil, nem uma fuga de nossas verdadeiras responsabilidades para com nós mesmos e com os outros, nem remover o amor e a preocupação, e muito menos o fim do relacionamento.

A premissa básica do processo de desligamento é: CADA PESSOA É RESPONSÁVEL POR SI MESMA. E a ação fundamental é o afastamento das responsabilidades de outras pessoas e cuidarmos das nossas.

Imagine que uma pessoa cria para ela mesma um desastre, ela tem que arcar com as consequências. Se realizou um crime, tem que ser julgado. Uma esposa não pode ficar presa no lugar de seu marido por algo que ele fez.

Se alguém desobedece ao aviso de não entrar numa caverna devido a risco de doença e pega uma pneumonia. Uma mãe pode até ajudar o filho a ir ao hospital na busca de um tratamento, mas NUNCA poderá tomar o antibiótico por ele.

Temos que dar as pessoas a liberdade de serem responsáveis e de crescerem. Impedir o crescimento moral e intelectual, para que ela sempre dependa de você, não seria egoísmo? Errar faz parte do aprendizado, cair faz parte de aprender a se levantar…. Não podemos e nem devemos impedir seu crescimento.

Outro fato que nos lembra a autora M. Beattie: “o desligamento envolve ‘viver o momento presente’ – viver aqui e agora. Permitindo que a vida aconteça, em vez de forçá-la e tentar controlá-la. Abandonando os arrependimentos passados e o medo do futuro. Fazendo o melhor a cada dia”.

Aprender a amar verdadeiramente e sem egoísmo; aprender a nos importar e nos envolver sem ficarmos loucos, sem tirar o controle e as responsabilidades dos outros. Quando nos desligamos e paramos de “nos preocupar” com elas (as outras pessoas); elas se dão conta e finalmente começam a preocupar-se com elas mesmas.

Em qual momento devemos nos desligar? Quando não conseguimos deixar de pensar, falar e preocupar-se com algo ou alguém; quando as nossas emoções estão fervendo, quando achamos que devemos fazer algo para alguém, porque não conseguimos aguentar nem mais um minuto; quando estamos por um fio e este fio está se enfraquecendo; e quando acreditamos que não podemos mais conviver com o problema com o qual temos tentado viver.

Para se desligar, é preciso aceitar a realidade e ter fé em Deus, em nós mesmos e nas outras pessoas. Confiar em Alguém maior que nós mesmos e que sabe e se importa com o que está acontecendo.

Desligue-se…

REFERÊNCIA

BEATTIE, Melody. Co-dependente nunca mais: como parar de controlar os outros e começar a cuidar de si mesmo. Editora Hazelden, 1992.

 

 

 

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA RECUPERAÇÃO DA CODEPENDÊNCIA – PRINCÍPIO II

 

Novamente lembramos que o primeiro passo para o tratamento do CODEPENDENTE é a “conscientização” e o segundo a “aceitação”.

 

Sigamos então na nossa elucidação do tema, vamos ao segundo princípio

 

PRINCÍPIO 2: AGIR E NÃO REAGIR

 

De certo modo somos educados a reagir a todos os problemas. Não estamos acostumados a agir. Na dependência química, assim como na educação de nossos adolescentes, precisamos tomar uma atitude de ação. Pensemos nisso como um jogo de xadrez, devemos prever a jogada de nosso oponente se quisermos ganhar. Não adiante mover peças numa jogada, é preciso mover e vislumbrar as próximas jogadas. Essa é uma atitude de ação e não de reação.

Observemos o exemplo de uma mãe que trabalha na sala de sua casa, costurando ou escrevendo ou preparando uma aula, e as crianças fazendo o maior barulho no quarto. A mãe reage com raiva e de maneira impensada, podendo fazer algo que não tenha resultado algum.

A maioria dos codependentes é “reacionária”. No sentido que reagem com raiva, culpa, vergonha, ódio, mágoa, desespero, preocupação, medo, ansiedade… E depois se arrependem e se culpam mais ainda.

Estão sempre num limiar em que a mínima situação lhes tiram dos trilhos. Estão sempre num estado de crise.

E este é o problema: reagem sem pensar no que realmente precisa fazer e como deve ser feito. Recordo-me de um caso em que um senhor com problemas sérios com álcool, tinha o hábito de sempre chegar em casa no final da madrugada completamente alcoolizado, ficar batendo na porta até a mulher abrir e com pena, mas usando dos palavrões que viessem a sua cabeça, o levasse para tomar banho, trocando as roupas e lhe colocando na cama para que a filha pequena não visse aquela cena. Ou seja, a mulher reagiu a situação.

Depois de frequentar um grupo de apoio aos familiares do AA (alcoólicos anônimos), a mulher começou a agir, quando a situação acima descrita novamente aconteceu numa madrugada chuvosa, ela o deixou na rua caído numa poça de lama e permitiu que a filha visse e fosse ao encontro do pai naquela situação. Uma situação triste, sem dúvidas. Mas, foi a partir daí que este senhor decidiu parar de beber e procurar realmente o tratamento. A humilhação de ser visto pela filha de seis anos em pé na sua frente e ele deitado numa poça de lama foi demais.

Como diz a professora Melody Beattie: não temos de considerar i comportamento de outras pessoas como reflexos de nosso valor próprio. Não temos de nos envergonhar se alguém que amamos escolher comportar-se indevidamente. É difícil fazer agir assim, porém é preciso. Para benefício da própria pessoa que amamos. O dependente tem que arcar com as consequências de seus atos.

Repetindo o que a professora Beattie diz em seu livro: “Mas, poderia protestar você, ‘por que eu não reagiria? Por que não deveria dizer nada de volta? Ele (ou ela) merece o tranco da minha forma de reagir’. Pode ser, mas você não merece. Estamos falando aqui sobre sua falta de paz, sua falta de serenidade, de seus momentos desperdiçados”.

É possível que você fique tão ocupado reagindo que nunca terá tempo ou energia para identificar o verdadeiro problema, muito menos como resolvê-lo. Algumas pessoas passam anos reagindo a casos de reincidência de bebidas e a todos os problemas gerados por elas, que deixam completamente de reconhecer o verdadeiro problema: o alcoolismo.

Não existem fórmulas mágicas para evitar as reações destrutivas, você precisa descobrir a sua maneira eficaz. Um bom psicólogo lhe ajudará muito. Mas, seguem algumas sugestões:

1 – Aprenda a reconhecer quando você está reagindo. Perder a calma e a serenidade é provavelmente a maior indicação disso.

2 – Faça o que for necessário para relaxar e voltar a calma: dê um passeio, medite, assista um programa que você goste, vá visitar alguém etc.

3 – Examine o que aconteceu. Pode discutir o assunto com um amigo para que este lhe ajude a esclarecer os pensamentos e emoções.

4 – Descubra o que precisa fazer para cuidar de si mesmo. Você não é responsável por fazer com que outras pessoas “vejam a luz” e não precisa “colocá-las na linha”. Você pode tentar ajudá-las, porém elas podem não querer sua ajuda, demonstrando que ainda não chegou a hora certa para que elas reconheçam a doença e iniciem o tratamento.

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA RECUPERAÇÃO DA CODEPENDÊNCIA – PRINCÍPIO III

 

Princípio III: LIBERTE-SE

 

Acreditamos que os Co-dependentes são pessoas que consistentemente usando grande esforço e enorme quantidade de energia tentam forçar as coisas a acontecem, impondo sua vontade. Pensando num motivo justo, controlam em nome do amor.

Usam de táticas combinadas com vários métodos para impor sua vontade, no caso da dependência química, sua vontade de manter a pessoa viciada longe do vício. Usam de tudo (de tudo que não funciona, apesar de não enxergarem isso).

Pensam que se continuarem atacando, insistindo e impondo, poderão alterar o fluxo da vida do outro, transformando essas pessoas, mudando as coisas a sua maneira.

Imaginem o exemplo: Ana casou com José, que se tornaria um alcoolista. Mas, no início ele não bebia tanto, porém quando bebia passava de semanas bebendo até não aguentar mais. Com o tempo, o vício foi se tornando maior e maior, bebendo todo dia e o dia todo. Perdia empregos, gastava tudo.

Ana começou a agir, não deixava o marido beber, contudo ao virar as costas ele voltava a se embebedar. Então, Ana descobriu que sua presença mantinha seu marido sóbrio e colocou-se a luta. Não deixava o marido só, ficava direto em casa, não saía, recusava passeios, vigiava-o constantemente.

Apesar de toda vigilância, ele conseguia beber escondido. E numa das brigas confessou que as finanças iam mal, que se ela também trabalhasse ele não teria tantas preocupações e não beberia mais.

Já imaginaram né?! Tudo para que este homem fique sóbrio.

Os Co-dependentes se esquecem que os dependentes são exímios manipuladores.

Ela então arranjou emprego e foi trabalhar, sentia-se bem ganhando seu próprio dinheiro e participando do pagamento das despesas de casa. Mas, a ansiedade bateu novamente a sua porta e a desconfiança também. Começou a achar que ele estava bebendo e um belo dia ela chega a noite em casa e nem as crianças ele tinha ido buscar na creche.

Resultado, abandonou o emprego e começou a vigia-lo novamente.

Anos depois ela contou numa reunião: “eu achava que tinha que fazer aquilo. Tinha de manter as coisas sob controle – meu controle”.

E aí? Quem controlava quem?

Depois de muito tempo, Ana aprendeu que não estava controlando José ou sua bebida. Ele é seu alcoolismo é que a estavam controlando.

A verdade é que dependentes químicos são especialistas em controlar.

É preciso ter sempre em mente um dos princípios do AL-ANON: você não causou isso (a doença); não pode controlar isso; e não pode curar isso.

A tentativa de controle é uma ilusão, não funciona e leva a uma desilusão. Não podemos controlar a vida do outro. Alguns mal podem controlar a si mesmos.

Não podemos mudar as pessoas. No máximo, podemos fazer coisas que aumentem a probabilidade de que elas queiram mudar, mas não podemos nem mesmo garantir ou controlar isso.

APRENDA: a única pessoa que você pode ajudar pode ajudar a mudar ou conseguir mudar é você mesmo.

Você não precisa deixar de se importar ou deixar de amar. Não tem que tolerar abusos. Não tem que abandonar. Mas, precisa deixar de reagir e começar a agir de maneira adequada.

 

REFERÊNCIA

 

BEATTIE, Melody. Co-dependente nunca mais: como parar de controlar os outros e começar a cuidar de si mesmo. Editora Hazelden, 1992.

 

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA RECUPERAÇÃO DA CODEPENDÊNCIA – PRINCÍPIO IV

 

Princípio IV: ACABE COM A VITIMIZAÇÃO.

 

Por que o Co-dependente quer sempre ajudar? Quer sempre fazer algo? Quer “salvar” o dependente ? E acaba sempre se sentindo mal?

 

Os Co-dependentes estão sempre a tentar “salvar” seus dependentes:

– Sempre estão a fazer algo para alguém, embora essa pessoa (o dependente) seja capaz de fazer por si mesma.

– Sempre estão a atender às necessidades das pessoas sem que isso tenha sido solicitado.

– Sempre prontos a sofrerem as consequências por outras pessoas (seus dependentes químicos).

– Sempre apostos a resolverem os problemas das outras pessoas.

– Sempre tentando corrigir os sentimentos de outras pessoas. 

– Chegando a tentar adivinhar o que as outras pessoas querem.

– etc…

Deu para entender?!

 

Todavia, quando estão fazendo isso, ou algum tempo depois, se sentem mal. E se sentem mal com uma frequência imensa.

 

Eles (os Co-dependentes) têm uma necessidade de “salvar ” as pessoas de suas responsabilidades. Têm a crença de serem mais competentes do que o dependente a quem estão ajudando. Pensa que a pessoa dependente (a vítima) está desamparada e incapaz de fazer o que se está sendo feito para ela. Esquecem que a “vítima ” é capaz de tomar conta de si mesma, embora nem os Co-dependentes e nem ela admitam isso.

O pior vem depois da ajuda, onde os Co-dependentes ficam ressentidos e irados com a pessoa que foi generosamente ajudada. A raiva é despertada pela ideia de que a ” vítima” não foi grata pela ajuda. E começa a despejar o ódio sobre o dependente, “perseguindo-o” com palavrões, insultos e injúrias.

Só que para toda ação existe uma reação. A “vítima” reage a raiva do Co-dependente, da mesma maneira com injúrias, insultos morais e/ou físicos. A ” vítima” se torna perseguidor e o perseguidor (antes salvador) se torna vítima.

Ou seja, como resultado previsível e inevitável, o Co-dependente sente-se desesperado, magoado, triste e envergonhado por ter deixado novamente todo aquele ciclo acontecer. Assume desse modo a sua posição predileta de “vítima”.

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